Por Gisele Fernandes e Swênnya Azevedo
O programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação formou no mês de abril quatro novos mestres: Denise Rodrigues, Jonária Franca, Liliana Rodrigues e Jonas Gomes Júnior. Através desse programa, o professor substituto Jonas Gomes Júnior realizou sua defesa de dissertação, intitulada A Complexidade e o Capital Social no perfil da Fundação Amazonas Sustentável no Twitter, no dia 19 de abril as 14h, no auditório Rio Solimões, ICHL.
O objetivo do trabalho foi elaborar um quadro de referência sobre a Teoria de pensamento complexo e a Cibercultura, relacionar os princípios do pensamento complexo ao sistema social do micro blog Twitter da FAS, analisar a rede social digital gerada no perfil do Twitter da FAS a partir da visão de Capital Social e identificar as relações sociais, a partir dos princípios da Teoria da Complexidade de Edgar Morin.
A banca examinadora foi composta pelas professoras doutoras Denize Picolotto Carvalho Levy (presidente), Luiza Maria Bessa Rebelo, Thais Helena Chaves de Castro e Maria Emília Abbud.
Leia a entrevista completa com o prof. Jonas Jr.:
1. Quais os objetivos da sua pesquisa?
JJ: A pesquisa desenvolvida no âmbito de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação se insere na Linha de Pesquisa chamada Ambientes Comunicacionais Midiáticos. Nesse sentido, a pesquisa tinha como objetivo geral identificar a Complexidade das relações sociais existentes no Perfil da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). Para identificar essa complexidade utilizamos o conceito de Capital Social e os princípios da Complexidade de Edgar Morin.
2. Acreditas que se uma organização, pode ser a FAS, utilizar essa ferramenta direcionada pra um público que não seja dessa geração Y, conseguirá obter seu objetivo de um fluxo de comunicação e relação entre a organização ou sempre o direcionamento do público vai ser mais jovem, os quais são mais acostumados com tecnologia, a internet e suas redes sociais?
A utilização do Twitter, ou de qualquer outro site de Rede Social, deve estar condicionada a uma dimensão estratégica da Organização. É preciso antes de decidir pela utilização da Internet e seus meios, saber se realmente é necessário esse recurso. Alguns públicos de interesse de algumas organizações não estão nas redes. Daí ser necessário sempre fazer pesquisas para saber onde estão os públicos. Contudo, nota-se que os ambientes virtuais são dominados pela geração mais jovem, pois praticamente nasceram nesse meio, com as mãos no mouse. Assim, as organizações podem utilizar-se dessa característica do meio para suas estratégias digitais, por exemplo, criar campanhas de mobilização por meio dos Sites de Redes Sociais. Além disso, as Organizações podem fazer uso dos sites de uma forma colaborativa, destacando que aquela rede não está pronta, entregue, cada usuário pode contribuir com a montagem, customização da rede. Pode ainda criar redes específicas para interesses específicos.
3. Falar sobre internet e redes sociais é como entrar num universo novo. Quando resolveu trabalhar com essa ferramenta, como determinou as limitações dos assuntos?
Realmente. A temática ‘‘Internet e Redes Sociais’’ tem contribuições a todo o momento, é algo que tem despertado a atenção de diversos pesquisadores e profissionais. Tem sido chamado de ‘‘Cibercultura’’ esse campo de conhecimento que investiga as mais diversas manifestações nos ambientes virtuais. Quando resolvi estudar a Cibercultura e as Novas Tecnologias, tive que determinar uma ferramenta, no caso o Twitter. Em 2010, o microblog estava na sua fase de maior ascensão. A escolha implicou leituras sobre o tema e, posteriormente, passei a fazer uma revisão de literatura, os trabalhos que já tinham sido publicados. Identifiquei 120 trabalhos no Intercom, diversas teses, dissertações e vários artigos. A partir de então, passei a ler e escrever o Capítulo III sobre o Twitter no Ciberespaço, destacando questões conceituais como o que é Twitter, Rede Social, Ciberespaço e Capital Social. Trata-se do capítulo teórico fundamental.
4. De que forma ocorre a dinâmica do processo comunicacional nas relações sociais no Twitter da Fundação Amazonas Sustentável?
A dinâmica é complexa, pois existe uma série de valores e motivações envolvidas. Um espaço tão simples visualmente pode revelar uma série de interesses (financeiros, econômicos, sociais…), motivações diversas (algumas implícitas ao ato de seguir) e motivações que estão na lista de prioridades de cada um. Assim, essa dinâmica comunicacional é marcada por diferentes formas de Capital Social, ou seja, aquilo que permite que as relações sociais sejam estabelecidas, como diz a prof(a). Maria Araújo ‘‘a argamassa necessária’’. Identificamos algumas formas de Capital Social e destacamos o Capital Social Cognitivo relacionando-o a Informação, isto é, umas das motivações para seguir é justamente a Informação que é transmitida, o espaço é um espaço informal na sua essência.
5. Quais as relações sociais que você conseguiu identificar, a partir dos princípios da Teoria da Complexidade, no Twitter da Fundação Amazonas Sustentável?
Notou-se que há um denso circuito comunicativo em virtude das diferentes formas de Capital Social que, por sua vez, indicam valores díspares e manifestos (Popularidade, Reputação, Conhecimento, Visibilidade, Acesso à informação, Suporte Social e Laços Sociais). Percebe-se que há uma Complexidade no Sistema Social da FAS, visto que há uma série de interesses envolvidos, que são expressos por meio das diferentes formas de Capital. Os valores envolvidos nessa complexa trama envolvem motivações e interesses que cercam as atualizações que partem principalmente para o acesso à informação qualificada.
Sobre o mestrando:
Jonas da Silva Gomes Júnior é profissional de Relações Públicas formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), tecnólogo em Produção Publicitária pelo Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Amazonas (IFAM) e especialista em Marketing Empresarial pela UFAM. É sócio da Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação (Intercom). Atualmente, é mestre em Ciências da Comunicação, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação na UFAM e foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).