A universidade exige ser compreendida como espaço natural do contraditório. Alimenta-se no confronto e no conflito das ideias. Negar essa condição é matar a essência da instituição universidade e fazê-la funcionar como um escolão na mais degradante concepção de educação – como campo fértil ao autoritarismo, à truculência e terra árida onde as sementes da liberdade, da democracia e da cidadania não florescem.
O tipo de agressão da qual foi vítima, na tarde de segunda-feira, o Prof. Gilson Vieira Monteiro, do curso de Comunicação Social, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), denuncia o avanço desse escolão. Não apenas na universidade. Esse ato inqualificável tem raiz nos ensino fundamental e médio e explode no ambiente universitário na versão mais grotesca, o espancamento de um professor.
Não apenas um professor teve o espaço de sala de aula invadido e foi agredido, mas um dos princípios de convivência institucional está rompido. O ato de violência atinge a toda a Ufam. Os códigos desse novo momento estão postos de forma ameaçadora. Não é ficção da telenovela, é real e agora aconteceu conosco. Vence quem detém o poder maior.
Como nos conta a história ainda recente, a vitória é do arbítrio, realiza-se na promoção do medo e do terror, na certeza de impunidade. Nosso desafio é concordar com essa postura ou reorganizarmos nossa indignação e, como universidade, combater o modelo que ora ganha corpo e aprofunda a raiz no ambiente universitário.
A sala de aula é arena. Espaço privilegiado do debate, do sim, do não, das reflexões, das argumentações, das inquietações, da alegria e da dor de conhecer e produzir conhecimento. E conhecimento deve servir, acima de tudo, para que sejamos melhor como pessoas. As armas usadas são os conteúdos dos livros, os acontecimentos que viraram notícia no rádio, na TV, no jornal, na Internet para serem refletidos, questionados, acatados, refutados. A truculência não cabe nesse lugar. Aprendemos na dor o mal que ela representa à humanidade.
RESISTÊNCIA
Ao jornalista Cristovão Nonato nossa solidariedade. Vamos empatar essa luta. O aperto ficou maior, mas não é o primeiro obstáculo a ser vencido. Outros tantos já foram superados. Na fumaça do seu carro destruído está escrito resistência e esperança, companheiro.
* Jornalista e Professora do DECOM
Artigo publicado no jornal A Crítica – Opinião (p. A4, 13/05/2009) e no site: http://www.textobr.com/default.asp